Estigma e HIV : O que eu vivenciei

Estigma e HIV é a associação de “coisas e sentimentos” mais perversa na vida das pessoas com HIV/AIDS! E, para que se diga toda a verdade, o estigma é um inferno nas vidas de todos aqueles que, por esta ou aquela razão, possam ser vistos como “diferentes”. Diferentes em que? Bem, eu não sei, pois isso, em geral, é um critério bem obtuso, com nascedouro na mente de uma pessoa que está, certamente, mais perdida do que aquele que ela definiu, ou identificou, como diferente.

Existe um trabalho de pesquisa que apurou que literalmente um terço da população economicamente ativa se recusaria a trabalhar com uma “pessoa assim” (sic). Esta expressão, “a pessoa assim”, foi esgrimida contra mim, há alguns anos, quando havia uma grande quantidade de pessoas me procurando por WhatsApp.

Ocorreu que, em uma destas noites sombrias que me acossam a alma, precisei conversar com alguém e Mara ainda não estava aposentada; portanto, quando ela pegava no sono, eu não a acordava, meu passarinho precisava descansar e o imbecil que vos escreve escolheu uma das pessoas a quem tive a honra de servir e a abordei, dizendo que precisava conversar e ela, muito gentil, sacou o seguinte coelho de sua cartola:

-“Olha moço, vou bloquear você aqui, pois não tenho como justificar uma amizade com uma pessoa como você”. — Ato contínuo ela me bloqueou e eu fiquei tão apalermado que nem sequer me ocorreu mandar um torpedo para ela e lhe dizer meia dúzia de verdade. Talvez tenha sido melhor assim, afinal, não tive a malfadada possibilidade de descer a seu patamar.

E existe um apalermado, que assina, ou assinava, com o triste nome de “Leddos”, ledamente enganado, que disse, pela rede em si, que “não existe morte social e que a saúde de pessoas com HIV é melhor do que a de ‘outras pessoas’, é óbvio que ele vive em um Universo paralelo”! Bem, ele mesmo não vive com HIV e, portanto, é um sapo falando da vida em uma nave espacial” enquanto ainda é um girino.

E eu resolvi contar pelo menos uma experiência minha que mostra como é se

Como é lidar com estigma e HIV

Outro dia eu estava falando com e comentei com ele que eu já não aguentava mais, como realmente não aguento, a coisa de viver com HIV. E ele entendeu mal e me respondeu que o HIV era para ele o menor dos problemas. É bem difícil para mim carregar o estigma do HIV!

E eu digo a vocês que ele tem razão em tudo isso a partir de uma determinada perspectiva e uma certa posição, dentro de um determinado contexto.

E que o dele é bem diferente do meu. No tempo em que eu fui diagnosticado como pessoa vivendo com HIV,  as pessoas com HIV morriam, literalmente, como moscas.

O Estigma das Pessoas Com HIV Era, Dentre Outras Coisas, Era De Que Eles Viviam Pouco Tempo

Desta forma, como as dificuldades eram grandes e a perspectiva de vida a expectativa de sobrevivência era curta, era o que nos diziam, vêm a nós as ” Benesses do Estado” (sic) e, dentre elas, estavam a da aposentadoria, e a possibilidade de sacar o fundo de garantia por tempo de serviço.

Eu não tinha direitos previdenciários. Eu nunca fui CLT e, a bem da verdade foi muito pouco tempo em que eu trabalhei com carteira registrada. Mas tinha, sim, algum dinheiro para sacar no fundo de garantia por tempo de serviço.

O Código do Saque do FGTS Fazia As Pessoas Vivendo Com HIV

E eu me lembro que era um código bastante específico vamos dizer que fosse assim o A5 44.  e todo mundo no banco sabia que A5 44 era a pessoa vivendo com AIDS, ou HIV, que para eles dava na mesma!

A pior parte de tudo isso, é que eles não tinham pudores em dizer em alto e bom som, para todos os outros funcionários, até porque eu mesmo não sabia que havia um código que pudesse dizer às outras pessoas que havia ali na agência uma pessoa vivendo com HIV.

O Texto Sobre O Estigma Contra Pessoas Com HIV segue depois do Vídeo

Pouco mais de Dois Minutos

Mas era assim que as coisas aconteciam. e o que é pior, é que este aqui ficava lá marcado, com este código, por todos os séculos dos séculos.

O Técnico em Hardware (integrador) Paulistano Em Piracicaba E O Estigma do HIV

Eu comecei a sentir o peso amplificado deste estigma quando estava trabalhando em Piracicaba uma cidade no interior de São Paulo e consegui um emprego como técnico em computadores, em uma boa empresa do ramo naquela cidade. Como nós vivemos num país onde a lei trabalhista sempre foi respeitada, pelo menos até Temmer e, depois dele, o Excelentíssimo Presidente Eleito Jair Messias Bolsonaro extinguirem as garantias trabalhistas que Getúlio Vargas, um presidente controverso (mandar Olga Benário Prestes, mulher, judia e comunista) para a Alemanha de Hitler é mais que posso perdoar, ficou acertado que eu trabalharia um mês sem registro e que a partir daí sim, viria o registro em carteira, com contrato de experiência, de 45 dias, extensíveis por mais 45 dias.

O FGTS o Maldito FGTS

Mas logo nos primeiros dias em que me foi pedida a carteira de trabalho e tudo mais houve um pequeno, digamos, “fuzuê”! Eles me pediram a confirmação da agência onde o meu fundo de garantia era depositado, se era, em verdade na Rua São Bento em São Paulo e eu confirmei que sim; e assim, sem saber, e selei minha demissão para dali há mais alguns dias!

E a demissão veio a cavalo, um dia antes de terminar o contrato de experiência e eu recebi, no momento do fechamento do expediente, uma carta de demissão padrão, falando em crise, problemas financeiros, necessidade de corte de funcionários, e toda aquela baboseira que vocês já sabem que a gente ler quando eles resolvem nos mandar embora sem mais aquela.

Esta foi a primeira vez e eu não sabia ainda o que estava acontecendo.

Vejam bem, de fato, eu não posso fazer alusões àquilo que eu penso que está acontecendo. Mas, eu creio, que estes empregadores, têm acesso, a esse código do saque de garantia, sabe-se lá como e por quê!

Lutando Contra O Meu Estigma Pessoal De Pessoa Vivendo Com HIV

E foi assim que há alguns anos, eu, o homem com quase 52 anos, me propus, pelo desespero de ter a minha própria renda, conseguir um trabalho, mesmo como atendente de telemarketing!

E vejam não há nenhum demérito em ser atendente de telemarketing! No entanto, eu tenho qualificações para muito mais e, na verdade, eu tentava uma chance de obter algo melhor, no futuro e, curiosamente, ela apareceu ali mesmo, no presente.

A Bateria de Testes Extra

Eu passei por uma “bateria de testes”. E me causou espanto o fato de pelo menos 15% das pessoas que” percorreram o ‘circuito de testes’ simplesmente não passaram! Mas…. Eu tinha ido além das expectativas e me convidaram para “estudar por mais um dia (…)” e passar por uma nova bateria de testes.

Nesta segunda bateria de testes eu iria tentar uma vaga no atendimento de telemarketing de uma empresa de transportes aéreos, e eu tinha esta possibilidade de trabalhar porque sou “bilíngue”. (sic)  Um Bilíngue, Autodidata, Com Muitas Outras Habilidades E Desempregado Há 24 Anos!!!

E Ex DJ -Não Existe Ex DJ! Uma vez DJ, sempre DJ! Me perdoe mestre Suassuna!!!

Pois bem, a cartilha ensinava, por exemplo, que a capital de Alagoas é Maceió, que Salvador é a capital da Bahia, mas eles não me disseram, por exemplo, que a Primeira Capital do Brasil foi em Salvador, ou que a segunda foi Rio de janeiro e a terceira, bem, este texto deve permanecer adequado a menores de idade….

E eu passei no teste, como Tinha Certeza Que Passaria

No mesmo dia, ato contínuo, eu entreguei meus documentos. tinha sido avisado para levá-los de qualquer maneira. Eles me deram papéis para abrir uma conta. Conta salário. E que eu fizesse o agendamento para o treinamento.  Eu creio que foi daí em diante que as coisas “desandaram”.

Digamos que a moça que marcava os cursos foi simpática e, sim, ela agendou o início de meu treinamento para dali a mais quinze dias, uma vez que ela não tinha vagas naquele momento e o próximo treinamento começaria exatamente em duas semanas. Eu não vi nada de errado nisso.

Um Rematado Idiota

Algumas vezes eu sou sonso. Em outras, um rematado idiota sistematicamente estigmatizado que não reage!

Os quinze dias se passaram e eu não notei. Mara sim! E chamou-me à atenção para o fato. Tolo que sou, esperei mais um ou dois dias, eu não tenho muita certeza disso. Até porque é um detalhe estúpido que não muda os fatos.

Eu já tinha, sim, aberto a conta. E depois destes um ou dois dias eu me dirigi até a empresa.

Eu me lembro de ter entrado lá de espírito desarmado, sem esperar nada. Até porque eu tinha sido convidado a participar do teste e, se eu falhasse no mesmo, eu ainda teria a vaga a qual concorri inicialmente, isso me foi prometido e, a despeito disso, eu tivera sucesso e êxito, um sucesso completamente satisfatório, com 99% das demandas vencidas! Não havia o que temer e eu, geralmente desconfiadíssimo.

Na Última vez em que confiei em alguém eu perdi um olho – Nick Fury (“Acabou o mistério! Saiba como Nick Fury perde o olho em “Capitã Marvel””)

Nick, eu perdi muito mais, muito, muito, muito e muito mais. E, creio, nesta vida, nada poderá resolver isso, até porque, em alguns casos, minhas dúvidas e medos apontam até mesmo para meus mentores espirituais. Por exemplo, eu jamais perdoarei Elis Regina por não ter gravado a segunda parte de fascinação:

“Hoje sombra sou do que fui Minhas ilusões o destino levou Nada mais existe, desde que partiste Em meu coração Só saudade ficou. Vivo com o passado a sonhar vendo-te ainda em meu coração, mas tudo promessa, Quimeras, mentiras de tua fascinação.” (“Carlos Galhardo – Fascinação Lyrics | Genius Lyrics”)

Tão forte Diva, tão imensa omissão….

Bem, voltando ao ponto, e creio ter deixado claro quem e o que eu sou, quando eu entrei naquele prédio, daquela empresa, depois de conversar com a recepcionista, segui para onde ela apontou. Lá, duas moças conversam. Até alegres demais para quem estava em expediente, pensei, e me aproximei.

Fui bem recebido e a pessoa ali responsável, bastante corada, em dado momento, perdeu o rubor das faces e, dada a insistência da colega em amenidades deu-lhe uma bronca, em voz baixa, mas o ouvido é de DJ, eu “não preciso de ‘um ouvido fender’ e ouvi bem”:

Dê um tempo, estou com um problema sério aqui!

E mesmo assim eu não acordei. Muitas vezes sou um palerma maldito. Entrei ali desarmado e prossegui desarmado até ser tarde demais. Veio um “cavalheiro”. Não lhe darei nomes feios. O trabalho dele é sujo, e estava, o maldito, cumprindo com seu “dever de ofício” e, ao me abordar, pediu gentilmente para ver o papel, que eu entreguei, este um erro fatal, me levou até o departamento pessoal, pediu à funcionária que lhe passasse meus documentos e os entregou a mim, dizendo que a “vaga fora fechada”, contenções de despesas.

Eu tinha, naquele momento, duas linhas de ação a adotar e, logo eu, que geralmente saio como Butch Cassidy contra o exército Boliviano, armas na mão, atirando, optei, e nem sei se optei, pela saída tranquila, afinal, havia a conta no banco, conta salário, que eu fora abrir no dia, no mesmo dia em que fui contratado, esta seria minha arma. Cheguei ao banco e a conta sequer fora aberta segundo me disseram (…). Eu a abri, em nome dos quarenta e três mil caralhos, eu a abri! Me recordo, claramente, de tê-la aberto e assinado os malditos documentos. Mas essa tralha humana….

Eu não tinha, e não tenho provas, e é apenas e tão somente por isso que não digo todos os nomes, com todas as letras. Preciso contar outra?

Espero que não. Estou repleto delas e recordar, meus amados leitores, é viver

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